domingo, 10 de outubro de 2010

insight

Insight

Insight é um conceito criado pelos psicólogos da Gestalt para descrever situações de aprendizagem abruptas na solução de um problema. Este conceito está relacionado ao de criatividade e de pensamento divergente, por fugir da resolução de problemas por tentativa e erro. Neste contexto, “problema” é uma situação em que falta um comportamento capaz de produzir o resultado desejado.

“Resolução de problemas” é o comportamento de manipulação do ambiente que aumenta a probabilidade do aparecimento de um comportamento que produza o resultado desejado naquela situação. O “insight”, então, é um tipo de resolução de problemas, no qual o comportamento que produz o resultado desejado (soluciona o problema) é emitido subitamente, sem um aprendizado prévio.

Os experimentos clássicos desta área eram condições nos quais chimpanzés se encontravam em situações que o alimento estava colocado em algum lugar fora do alcance. Os chimpanzés procuravam diversas soluções baseadas em seus aprendizados anteriores, mas não conseguiam resolver o problema, pois nenhuma solução anterior poderia resolver o problema atual. Porém, de modo repentino, o chimpanzé chegava à soluções, utilizando utensílios para conseguir pegar o alimento fora do alcance.

Teoria da Mudança Representacional
Tentando conciliar aspectos da abordagem da Gestalt à abordagem cognitiva da processamento de informações de resolução de problemas, Ohlsson criou a Teoria da Mudança Representacional. Segundo Ohlsson:

o insight ocorre no contexto de um impasse (bloqueio), que é imerecido no sentido que o pensador é, na verdade, competente para resolver o problema.

A teoria da mudança representacional postula que a maneira como um problema é representado na mente do solucionador do problema funciona como uma sondagem da memória de longo prazo para recuperar conhecimento relacionado (como operadores ou possíveis ações), baseiando-se na ativação alastrante de conceitos ou itens do conhecimento. O impasse ou bloqueio ocorre quando o modo que um problema é apresentado não permite a recuperação de operadores ou possíveis ações necessárias para resolução do problema.

O impasse é rompido quando a representação do problema é alterada, e a nova representação mental atua como uma sondagem da memória para outros operadores importantes na memória de longo prazo. Com isso, ela amplia as informações disponíveis para o solucionador do problema. O insight ocorre quando o impasse é rompido, e os operadores do conhecimento recuperados são suficientes para resolver o problema.

Condições para o insight
A mudança da representação do problema é parecida com a proposta da reestruturação dos gestaltistas, e parecida com aquele velho ditado “o problema é a maneira que vemos o problema”.

Independentemente dos constructos e processos cognitivos postulados, a vantagem da Teoria de Mudança Representacional é de que ela especifica as condições (já comprovadas experimentalmente) pelas quais podemos mudar a representação de um problema, e consequentemente, gerar o insight:

O acréscimo de novas informações sobre o problema;
O relaxamento da pressão, em que são removidas restrições sobre o que é encarado como permissível;

A recodificação, em que algum aspecto da representação do problema é reinterpretado.
A abordagem da cognição distribuída (adotada em grande parte por Donald Norman, quando ele fala sobre representações internas e externas) postula que a cognição pode ser concebida como um processo no qual a informação fica não somente internalizada como conhecimento, mas alocada também no ambiente.

Como designers e profissionais que lidam com a noção de “ambiente construído”, não podemos fazer muita coisa em relação à segunda condição, pois não temos acesso à pressão (geralmente, esta condição ocorre quando a pessoa pára de pensar conscientemente sobre o problema); porém, podemos acrescentar novas informações sobre o problema que o usuário tem em mãos e recodificar o problema em novas representações. A visualização e o design da informação, atuando como mudanças nas representações do problema, nesse sentido, são meios para o insight.

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